ARTIGO – GRUPO AVANZI
Gerenciamento e (Re)Design de Redes de Missão Crítica sob a ótica da Guerra Eletrônica e Cibersegurança

O atentado às Torres Gêmeas ocorrido em 11 de setembro de 2001 na cidade de Nova York, sob muitos aspectos representou um divisor de águas no contexto do gerenciamento de redes de radiocomunicação de missão crítica. Na UIT – União Internacional de telecomunicações, agência da ONU especializada em telecomunicações, foi criado um item de agenda denominado Public Protection Disaster Relief, com o objetivo de assegurar eficiência e eficácia de redes de telecomunicações de missão crítica em situações emergenciais. Na camada técnica entre os principais temas estão a interoperabilidade entre redes de diferentes padrões técnicos, a harmonização de frequências entre outros, que visam cooperação entre Estados em regiões fronteiriças, interoperabilidade e flexibilidade.
De um modo geral, temos nas redes públicas de Missão Crítica, diversos tipos de protocolos, sendo os mais utilizados: APCO25, Tetra, Tetrapol e DMR. Tais protocolos possuem diferentes níveis de criptografia dependendo da criticidade da Missão. Os equipamentos APCO25, Tetra e Tetrapol são utilizados pelas forças armadas (operações táticas principalmente), serviços de infraestrutura, gestão de modais de redes de serviços essenciais de telecomunicações tais como: portos, aeroportos – torres de controle de tráfego aéreo – ferrovias, metrô entre outros.
Também utilizam esses protocolos importantes setores da indústria como mineração, plataformas de gás e petróleo, utilities (empresas de energia elétrica e abastecimento de água), órgãos de segurança pública (policiamento ostensivo e investigativo), prédios públicos – sede de governos – prefeituras de grandes Capitais, no Brasil e em vários países do mundo.
Também no âmbito de Missão Crítica o protocolo DMR – Digital Mobile Radio, suporta tarefas em serviços essenciais de municipalidades em geral, SAMU, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Guardas Municipais, Serviço de Trânsito entre outros. O que todos esses diferentes tipos de corporações têm em comum? São redes de Missão Crítica, cuja falha ou interrupção nas comunicações podem causar severos prejuízos, desastres ou a perda de vidas. Os devices dessas redes possuem latentes em si a possibilidade e o potencial de serem acionados à distância por radiofrequência ou pelo protocolo TCP/IP em caso de sabotagem. No caso em específico do atentado no Líbano, os equipamentos cuja presença é corriqueira em toda a parte, continham explosivos, conforme noticiado pela imprensa.
Com o crescente aumento das tensões no mundo, as redes de telecomunicações de missão crítica estão sendo constantemente (re)desenhadas com vistas a se tornarem mais resilientes, robustas e redundantes. Paralelamente as redes existe um complexo e intrincado ecossistema composto por: backhauls, backbones, datacenters, todos projetados com maior capacidade de transporte de dados com tempos de latência mínimos. O que antes era preocupação somente no ambiente militar, no contexto da Guerra Eletrônica, em menor ou maior grau passou a ser pauta de todos esses organismos acima citados.
Subjacente ao foco do gestor de redes de missão crítica (público ou privado), emergem aspectos relacionados as diversas suites de serviços que as plataformas de radiocomunicação de missão crítica oferecem, preponderando doravante a gestão amiúde de ferramentas administrativas que permitam o acompanhamento e monitoramento das redes de missão crítica em tempo real, bem como a constante revisão e (re)dimensionamento – desse ecossistema – em ciclos de tempo cada vez menores.
Paralela a essas demandas, as inovações disruptivas do serviço satelital, os avanços da Tecnologia 5G, redes Wi Fi 6E,redes NTN – Non Terrestrial Network e a tecnologia D2D – Direct to Device, prometem inaugurar uma nova era nas telecomunicações à curto e médio prazo. Tudo isso, com uma boa dose de inteligência artificial embarcada em todo o ecossistema, e, em especial, nas novas constelações de satélites.
Nunca foi tão necessária a visão estratégica, o planejamento de curto e médio prazo, a utilização de técnicas de gestão consagradas como PMbook, a adoção de politicas de compliance e ESG – Enviroment, Social, Governance consistentes para garantir padronização, sustentabilidade, resiliência, perenidade e confiabilidade das redes de telecomunicações de missão crítica, espinha dorsal das Nações, dos Governos e dos Estados.